ONG Sinhá Laurinha

Home  » Resgate de Fauna Silvestre debilitada: Uma experiência que vale ser compartilhada.

 

 Em atividade desde outubro de 2001, o Subprograma de Resgate de Fauna Silvestre debilitada, inserida dentro do Programa É O BICHO – Proteção e monitoramento de Animais Silvestres, realizado na ES-060, sob a Concessão da Rodovia do Sol, têm por objetivo o resgate, a recuperação e a soltura, quando possível, de espécimes da fauna silvestre, encontrados debilitados ou em situação de risco de atropelamento, no trecho sob esta concessão.

 Ao longo desses anos de programa, tivemos a oportunidade de depararmos com algumas experiências que devem ser mencionadas, para demonstrar a importância deste tipo de trabalho em empreendimentos lineares, e por representar em muitos casos, à sobrevivência e a soltura destes animais novamente ao seu habitat natural.

 Citar estas experiências é também compartilhar com os demais interessados neste trabalho, da seriedade com que se deve trabalhar com este animal, que por conta de uma colisão com algum veículo, se encontra em situação de stress absoluto, com dores, além de não possuírem o hábito de convívio com os humanos, como no caso dos animais domésticos, o que nos remete a grandes dificuldades para garantir a este animal o mínimo de contato possível, e assim não interferimos em seu comportamento natural.

 Outra grande dificuldade é a alimentação, sempre muito especifica nestes animais, além de possuírem o hábito de caçar suas presas, e estando em fase de recuperação, isto se torna quase que impossível, e em alguns casos estes, recebem o alimento dos responsáveis pelo trabalho, dependendo da situação em que se encontra o animal. Também prezamos por fazer a soltura sempre que possível, no local ou nas proximidades de onde este animal foi encontrado debilitado na Rodovia, acreditando que a reintrodução em seu habitat mais familiar, pode vir a facilitar a recuperação deste.

 Outro fator importante e que deve ser mencionado é a parceria deste programa com o Hospital Veterinário da Universidade de Vila Velha – UVV, que nos proporciona a garantia de sempre podermos prestar o socorro o mais rápido possível, além de um tratamento de qualidade para este animal, pelo fato desta instituição possuir em seu corpo docente, profissionais especializados em animais silvestres.   

 

Algumas experiências:

 

Eira bárbara: o animal, conhecido popularmente por Irara ou Papa mel, foi encontrado no km 63 da Rodovia, no dia 30/12/09, chegando ao laboratório de Fauna praticamente morto, e após avaliação, constatamos que o seu membro superior direito estava deslocado, além de várias lesões no corpo por conta da colisão com veiculo. Por ser final de ano não conseguimos o atendimento no Hospital Veterinário da UVV, por estarem de recesso, assim, tivemos que recorrer a um veterinário local, que não tinha experiência alguma com animais silvestres, ele apenas o medicou, e informou que o animal não sobreviveria, então retornamos com o animal ao laboratório, onde este ficou por algum tempo conosco, recebendo os cuidados possíveis e alimentação adequada para esta espécie, e mesmo sendo desacreditado pelo veterinário, o animal sobreviveu e sua soltura foi gravada para o Programa Aventura Selvagem, do SBT, com a presença de Richard Rasmussen, que em visita ao Espírito Santo, soube deste caso e fez questão de vir soltar este animal conosco.

 

Athene cunicularia: esta ave, conhecida popularmente por Coruja-buraqueira, foi encaminhada ao laboratório de fauna pelos funcionários da base da Rodosol, em Vitória-ES, que a encontraram caída no pátio da empresa, possivelmente quando tentava voar, pois o animal era bem jovem. Não foi necessário o encaminhamento ao veterinário, pois não apresentava nenhuma lesão, assim, ela ficou no Laboratório recebendo os cuidados necessários e alimentação adequada, até poder ser solta, já habilitada a se manter sozinha na natureza.

 

Sallithrix geoffroyi: conhecido popularmente como Sagüi-da-cara-branca, este animal foi encontrado pelos inspetores no Km 64,2 da Rodosol, e levado imediatamente para o Hospital Veterinário da UVV, pois se encontrava muito ferido. Infelizmente o animal veio a óbito dias depois, por lesões na coluna vertebral e nos membros inferiores, o que mesmo que este sobrevivesse, impossibilitaria que este animal voltasse á natureza, pelas dificuldades que teria em sobreviver na natureza, e provavelmente seria encaminhado a Centros de reabilitação.

 

Boa constrictor: conhecido popularmente por Jibóia, este réptil foi encontrado na Rodovia com pequenos ferimentos, sendo encaminhado ao Laboratório de Fauna, onde recebeu todos os cuidados necessários nas feridas e alimentada, sendo solta no dia seguinte, pois já se apresentava apta a sobreviver na natureza, por ter tido somente ferimentos.

 

Crotophaga ani: conhecido por Anu-preto, esta ave foi encontrada na Rodovia, e encaminhada ao Laboratório de Fauna, mas veio a óbito 30 min depois, mesmo tendo recebido os cuidados o mais rápido possível.

 Com o passar destes anos, através das experiências que tivemos com estes animais debilitados de todas as classes, percebemos que a recuperação e até mesmo a sobrevivência é mais fácil é rápido em alguns casos. Répteis têm a tendência a se recuperar mais fácil, talvez pela sua estrutura corporal, já com as aves, isto é bem diferente, grande parte não aguentam e acaba vindo a óbito bem mais rápido que os demais, e os mamíferos também têm uma grande facilidade de recuperação.

 
Franciane Almeida
Bióloga - SLau Ambiental
CRBio: 60.930/02
CTEA IEMA: 58589767


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